Hoje é um belo dia para um prólogo, continuo escrevendo a história de minha vida com sangue, suor, lágrimas e esperma, mas não sei quando ela será publicada. Mentalizo “não escrevo para viver, vivo para escrever”, mas a página continua em branco. Mentalizo “o universo espera por mim”, mas o tempo não espera por pessoa alguma (ou coisa alguma). Mentalizo “eu gosto de desafios”, mas percebo que estou tentando enganar a mim mesmo.
Terça-feira completarei 32 anos e já padeço de um tédio tirânico, como se já não bastassem minhas frequentes “depressões casuais”. Trocar os canais da TV de nada ajuda, continuar a leitura de algum livro tem me deixado com um gosto amargo na boca, sinto que preciso aprender muitas coisas antes de trazer minha tão sonhada literatura ao mundo, mas não ter um volume com meu nome impresso ainda é um fantasma que assombra meu sono conturbado.
Ó Musa, alada, divina ou mortal, dê-me o conforto do desconforto que gera em seu ventre o meu livro ideal.
2009, Outubro, 31, Sábado
O Alfa e o Ômega da Existência
2009, Outubro, 28, Quarta-feira
Fábula
Em meio a um branco total surge um ponto negro, minúsculo, mesmo quando visto de perto, mesmo quando visto de longe.
Aos poucos o ponto expande e revela alguns detalhes, como dois círculos, a saber: os olhos.
Como se estivessem ali o tempo todo (e chegamos a nos perguntar se não o vimos por negligência) uma série de pontos idênticos ao primeiro simplesmente ali está.
E esta música de onde vem? Para quem não sabe que lugar é este que tem diante dos olhos não tem muita importância a localização precisa da fonte da música, o aqui e o ali são quase a mesma coisa.
Enquanto a música se eleva e se alonga o mesmo fazem os pontos, agora incontáveis, mais pelo confusão que fazem a se mexerem do que por serem um número realmente grande, o que ainda não o são.
Algum passante pode aproximar o rosto destes pontos ambulantes e dizer: são formigas! Sim, são formigas. E a música que embala seus movimentos vem de cigarras. Ainda não há ritmo na dança, mas a música já marca um complicado contraponto. Ainda não há consciência da vida, mas a vida já é, já está.
Eis o universo.
2009, Outubro, 26, Segunda-feira
As Belas do Cine Conhecimento
Depois de vários meses sem dar as caras por aqui voltei um pouco renovado e com uma certeza: ninguém sentiu minha falta! Por que, então, voltei? Respondo: Pra estar de volta. Isso me lembra a história que se conta de Sócrates, enquanto esperava a cicuta ser preparada ele aprendia a tocar (se não me engano) flauta, ao que perguntaram a ele por que ele aprendia a tocar flauta quando estava prestes a morrer, sua resposta foi: “para aprender a tocar flauta antes de morrer”. Da mesma forma posto no meu blog para escrever antes de morrer, embora eu torça para não morrer nem hoje, nem num futuro próximo, o universo é paciente e eu também!