Os afeitos à literatura (e outros nem tanto, exemplo: governo brasileiro) estão comemorando os 100 anos da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, Machadão para os íntimos. Por causa das bodas muito se tem falado sobre boa literatura e literatura de qualidade (o que quer que isso queira dizer…), todos os dias aparecem novas publicações e a imprensa trabalha em ritmo cada vez mais acelerado, no entanto isso não quer dizer que haja um rígido controle de qualidade, afinal quando a quantidade é muito grande é bem provável que a qualidade seja sofrível. É normal que o povo adapte seu idioma pelos mais diversos motivos, um deles é justamente a aceleração do ritmo das mudanças no mundo. Para demonstrar isso, acredito, não existe exemplo melhor que o miguxês, com seu poder de síntese e de fácil apreensão. O trabalho com os vocábulos acontece de diversas formas, trocando vogais e consoantes, supressão de vogais, além de conceder mais flexibilidade à língua.
Apesar do miguxês ter surgido há poucos anos já penetrou nas mais diversas camadas sociais, tomando de assalto as salas de bate-papo da Internet, pelo simples fato de agilizar a comunicação. Mas nem sempre é assim, em algumas situações é mais difícil se expressar em miguxês do que na gramática que segue a norma padrão. Como o homem dá um jeito de facilitar (?!) tudo já existe um miguxeitor na Internet, isto é, um script que retorna, como resultado um texto em miguxês. Para usá-lo basta digitar um texto em “português” num lado e escolher uma de três opções: miguxês arcaico (!), moderno (!!) ou neo-miguxês (!!!). Segue abaixo um trecho de um texto que publiquei há poucos dias com suas respectivas “versões” em miguxês.
Português
Hoje sonhei com o livro O Sabão, mas alguém me dizia que o título do livro não era o título do livro, enquanto isso fiquei divagando sobre O Seixo e seu desgaste progressivo, um mundo que se construía à medida que outro se consumia. Sonhei com Malarmé e sua poesia revolucionária e depois sonhei que eu mesmo revolucionaria a arte de sonhar, assim sonhei que sonhei que sonhava (acho que me inspirei no Grafógrafo de Salvador Elizondo), no Aleph de Borges e nas voltas que a vida dá.
Miguxês Arcaico
hj sonhei c/ o livro o sabao, mas alguem me dizia q o titulo do livro nao era o titulo do livro, enquanto isso fiquei divagando sobre o sexo e seu desgaste progressivo, 1 mundo q se construia a medida q outro se consumia. sonhei c/ malarmeh e sua poesia revolucionaria e depois sonhei q eu mesmo revolucionaria a arte de sonhar, assim sonhei q sonhei q sonhava (acho q me inspirei no grafografo de salvador elizondo), no aleph de borges e nas voltas q a vida dah.
Miguxês Moderno
hj sonhei kom u livru u sabaum…mas alguem me dizia ke u titulu du livru naum era u titulu du livru…enkantu issu fikei divaganu sobre u sexu i seu disgasti progressivu…1 mundu ke c konstruia a medida ke otru c konsumia…… sonhei kom malarmeh i sua poesia revolucionaria i dpois sonhei ke eu msm revolucionaria a arti d sonhah…assim sonhei ke sonhei ke sonhava (axu ke me inspirei nu grafografu d salvador elizondu)…nu aleph d borgis i nas voltas ke a vida dah……
Neo-miguxês
hJ sonhEI Kum u LIVrU U SABAUm…mAxXx algUem ME DIziAH kI U TiTulu du livRu NAUm erAh u TiTuLU Du LIvrU…enkAnTU iXXU fIkEI DiVAganU soBRe U SExXxU i sEU disgASTi pRoGREXXIvU…1 mUnDU KI SI kOnSTruiah A MEdidah kI otRu sI KONsuMIah…… soNHEI kUM malArMeh i SuaH pOESiAh REVOluCionaRiah I dPoIxXx soNHeI KI EU MSM RevOLuCiOnArIAH a ArtI DI SoNHAh…aXXiM sONheI kI sONhei KI SoNhAvAH (axXxu Ki mE InSpIrei NU GrAfOgraFU dI SAlvaDOR ELIzOnDu)…NU aleph dI bOrgIxXx I nAxXx vOLtaxXx Ki a vidaH dAh……
Não tem coisa mais chata que ser obrigada a ler um texto em miguxes, seja de qualquer um dos tipos.
Isso já encheu o saco. =/
Comentário por .Carol — 2008, Agosto, 12, Terça-feira @ 3:29 pm
quero fotos pois acho muito interessante a historia dele
Comentário por bruna — 2008, Setembro, 18, Quinta-feira @ 1:43 pm