Samael

2008, Junho, 23, Segunda-feira

Palavras aos Quatro Ventos

Hoje sonhei com o livro O Sabão, mas alguém me dizia que o título do livro não era o título do livro, enquanto isso fiquei divagando sobre O Seixo e seu desgaste progressivo, um mundo que se construía à medida que outro se consumia. Sonhei com Malarmé e sua poesia revolucionária e depois sonhei que eu mesmo revolucionaria a arte de sonhar, assim sonhei que sonhei que sonhava (acho que me inspirei no Grafógrafo de Salvador Elizondo), no Aleph de Borges e nas voltas que a vida dá.

Ah Gabito, mostre pra essa gente com quantos números se faz uma identidade e com quantas letras se cataloga o mundo. Perdoe-me por não escrever ao general, é que no meu sonho eu me concentrava na dor e tudo o mais era resto, foi assim que aprendi a escrever somente para os fortes de coração, somente para os que não se importam de encontrar um “pau no seu cu” solto numa frase qualquer sem intenções de ofender, ou mesmo de render-lhe homenagem.

Saudades da época em que eu e Bocage passávamos noites inteiras declamando lindos poemas cheios de palavrões (eu declamava seus poemas e ele meus palavrões) e eu acordava com a sensação de que o estrago da noite jamais seria reparado. Amizades jogadas (como merda no ventilador) na sarjeta do opróbrio de uma noite única, corações partidos em todos os meus quatro cérebros, que uso pra ruminar a obra machadiana.

Enquanto eu passava hoje em frente a uma Igreja Universal (do Dinheiro de Deus) descobri a salvação: é comprar nas Casas Bahia.com.br. O perdão é imediato (a cada compra), mas as prestações são eternas. Aqui, tome, leve meu dinheiro, sai mais barato se eu te der meu cérebro também? Pode levar, não precisarei mais dele, encontrei a saída de meu Labirinto, o meu destino é ser um mártir das Santas Calças Perdidas, casado com uma modelo aposentada aos 17 anos.

Cansei de me prostituir todas as noites lendo Paulo Coelho, agora sou mais eu, o paraíso me espera entre os grandes peitos de um homem gordo (Bob, é você??)

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