miserylab – vaporware (ep)
O ano de 1998 viu Porl King e Karl North encerrarem as atividades com a banda Rosetta Stone. Karl North juntou-se ao The Dream Disciples e Porl King passou a trabalhar mais com remixes, além de mixagem e produção musical sob o nome de miserylab.
No MySpace há uma endereço para cada um mas, ironicamente, o endereço do miserylab fala de Porl King, e o de Porl King fala do miserylab, será isso mais uma demonstração do famoso humor britânico? Tenho minhas dúvidas já que King não tem papas na língua, isso pode ser facilmente comprovado ao ver a explicação que ele dá para a criação do nome miserylab:
I’m told I see only the negative … I over analyse and take the fun and spontaneity out of everything … my almost scientific approach to cynicism is how I came about the name miserylab … though it also serves as a reference to vivisection in all it’s cruel and corporate pointlessness …
Em seus endereços no MySpace podemos vê-lo cada vez mais direcionado à misantropia, ao anti-capitalismo, ao veganismo, aos direitos dos animais, dentre outros. Diferentemente do Rosetta Stone que tinha uma preocupação muito maior com os valores góticos e pós-punk, miserylab é totalmente político, no entanto, novamente em seu espaço no MySpace algumas coisas são deixadas bem claras:
miserylab is an observation – a perspective … it isn’t a rallying call … and it isn’t the optimism for change …
miserylab may harbour unrealistic hopes – for a utopian anarchic society … but it knows full well it will never come …
miserylab has no pedestal … it doesn’t want to change you … it doesn’t want to dictate to you …
miserylab isn’t more intelligent than you …
miserylab doesn’t know enough about – the things that matter …
but it tries hard to see things for what they really are …
Por enquanto com apenas um EP com apenas quatro músicas (uma delas instrumental) o conteúdo precisa ser marcante, as músicas disponíveis para download gratuito chamam-se “no cure for life”, “raze it to the ground”, “all there is” e “romance is manipulation”. King, que afirma estar indisposto com gravadoras, e pede aos fãs para que as músicas sejam distribuídas livremente para o máximo de pessoas possível, atitude essa bastante louvável e possivelmente de um visionário.
1 – no cure for life (3:40)
Os remixes feitos por King ainda na época do Rosetta Stone viram-no explorar bastante as possibilidades, e aqui em no cure for life é onde pode-se sentir mais claramente isso: som da bateria abafado, teclados bastante destacados e alguns efeitos no vocal. Por incrível que pareça essa música tem uma sonoridade muito mais oitentista do que as músicas do Rosetta.
A letra caracteriza o homem como um vírus implacável que infecta tudo e todos. Poluição, transgênicos e capitalismo selvagem ficam claros quando ele diz:
we fear the air we breathe
we fear the food we eat
we fear the tampered seed
we fear the corporate greed
2 – raze it to the ground (3:13)
Controle de massa, alienação coletiva e consumismo desenfreado são a tônica aqui. King deixa um pouco seu lado oitentista e se desloca mais para perto do século XXI. Bateria abafada, alguns efeitos nos vocais, guitarra discreta e umas pitadas de sintetizadores combinam perfeitamente com a letra:
it’s the optimist that’s only half full …
forget the glasshere’s another piece of shit for you …
be sure to make it last
3 – all there is (2:57)
Sem pudores King chega dizendo:
I fucking hate you all
I couldn’t hate you more
I fucking hate all of you
can’t deal with you anymore
Seu lado misantrópico não poderia ficar mais claro, logo depois disso no fundo pode ser ouvida a voz de George W. Bush falando sobre armas biológicas e armas de destruição em massa.
Mais alienação? Mais aceitação cega da realidade? Tem, sim senhor!
we are numbers we are fields
we are fools if this is really for real
we are numbers we are fields
we are fools if this is really all there is
4 – romance is manipulation (4:03)
A música é instrumental mas a idéia é clara: a idéia de romance e amor são invenções para nos manipular. Diferentemente da agressividade do título a música é a mais bonita do EP, ótima para ser escutada a qualquer momento.

