Seu corpo queima quente
Rodando voltas muitas
Sarabandas de simples gente
Danças danças fortuitas
Movimentos de êxtases
Luxúrias e de lupanares paixões
Em incontáveis vezes
E um sem número de rincões
Sangue e ritmo e harmonia
Compartilhando íntimo convívio
Vida completa em todo um dia
Incandescente fogo de martírio
Ainda gira na pira da vida
Fogo de vis amores mil
Calor agridoce de deicida
Fumo cujo fim é o frio
Em ti baseei minha dança sutil
Nela revivo sentimento desdito
Emulo teu corpo todo vazio
Seguindo ao teu abismo me precipito
Quando enfim a brasas reduzido
Terei o descaso do descanso
Dentro de meu ex-corpo esquecido
Solitude em mares de remanso
Intoxicado por cheiros fêmeos
Hei de beber-te líquido ferruginoso
E lamber teu sexo e seios
O gozo em tua boca de meu corpo cavernoso
Assim clama a chama extinta
Pelas vidas não concretizadas
Amor-sexo-crime que se pratica
Abortos em centelhas não batizadas
Matemos isto que nos mata
Diabo hei de chamá-lo amor
Deus diz ser sexo o que nos arrebata
Outra face do prazer é a dor
Enfim desta ligação dispenso minha musa
É que por vinhos já faço-me como Milton cego
Repouso ainda meu corpo abusa
Em que aos sonhos do sono meu corpo agora entrego
(Silvio Somer)
Eita, mas que belo poeta me saiu você!
Ei, preciso conversar contigo, podes passar-me o teu telefone residencial?
abraços!
Comentário por Ruan — 2008, Janeiro, 11, Sexta-Feira @ 1:41 pm