Monólogos
Ouvindo ao CD “Duke” do Genesis lembrei dos monólogos de Patrick Bateman, interpretado por Christian Bale, no filme “American Psycho“, quem assistiu sabe do que estou falando. Segue abaixo o monólogo que trata dos CDs “Duke” e “Invisible Touch” do Genesis. Mais monólogos podem ser encontrados em Colin’s Movie Monologue Page.
Patrick Bateman: Do you like Phil Collins? I’ve been a big Genesis fan ever since the release of their 1980 album, Duke. Before that, I really didn’t understand any of their work. Too artsy, too intellectual. It was on Duke where, uh, Phil Collins’ presence became more apparent. I think Invisible Touch was the group’s undisputed masterpiece. It’s an epic meditation on intangibility. At the same time, it deepens and enriches the meaning of the preceding three albums. Christy, take off your robe. Listen to the brilliant ensemble playing of Banks, Collins and Rutherford. You can practically hear every nuance of every instrument. Sabrina, remove your dress. In terms of lyrical craftsmanship, the sheer songwriting, this album hits a new peak of professionalism. Sabrina, why don’t you, uh, dance a little. Take the lyrics to Land of Confusion. In this song, Phil Collins addresses the problems of abusive political authority. In Too Deep is the most moving pop song of the 1980s, about monogamy and commitment. The song is extremely uplifting. Their lyrics are as positive and affirmative as, uh, anything I’ve heard in rock. Christy, get down on your knees so Sabrina can see your ass. Phil Collins’ solo career seems to be more commercial and therefore more satisfying, in a narrower way. Especially songs like In the Air Tonight and, uh, Against All Odds. Sabrina, don’t just stare at it, eat it. But I also think Phil Collins works best within the confines of the group, than as a solo artist, and I stress the word artist. This is Sussudio, a great, great song, a personal favorite.
E Agora Você Decide
Quando eu era um pré-aborrecente já gostava bastante de literatura, costumava ler os textos das aulas de português antes dos meus colegas, por simples curiosidade. Desde minhas memórias mais antigas sempre esteve presente em minha casa uma pequena biblioteca, composta quase que totalmente de best sellers, além de algumas preciosidades não tão conhecidas como “O Processo” de Franz Kafka, “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, “As Veias Abertas da América Latina” de Eduardo Galeano, “As Aventuras de Gulliver” de Jonathan Swift etc. Li boa parte deles, mas eu ainda não conseguia entender muita coisa, eu tinha consciência disso então procurei a chamada literatura infanto-juvenil, foi então que conheci uma série chamada “E Agora Você Decide”, suponho que há muito tempo estes livros estejam fora de catálogo, uma pena porque eles tinham um ótimo diferencial: o leitor podia decidir o rumo da história, até um de seus múltiplos finais. Não haviam muitas possibilidades, mas era diversão garantida. Hoje em dia a interação e vista e qualquer lugar que tenha uma ligação com um computador, mas naquela época isso era inédito, pelo menos para mim.
Adicionado a esta interação do leitor solitário com suas possibilidades havia também um outro nível: eu e minhas irmãs líamos simultaneamente e quando acabávamos uma leitura trocávamos em nós. Os comentários sobre as histórias e os personagens eram frequentes, é claro que não éramos leitores treinados e educados na teoria de Walter Benjamin e Harold Bloom, nossa crítica ia muito mais para a história do que para os personagens, mesmo quando éramos nós a encarná-los em nossas escolhas, inclusive isso agora me faz pensar que mesmo com uma maior proximidade com a trama ainda haviam muitas cordas que nos deixavam em segurança, afinal embora estivéssemos interagindo com o conteúdo ele era estático, era apenas um livro. Pensar assim nos garante a integridade física, decidíamos em que armadilha o personagem cairia, enquanto estávamos sãos e salvos em casa. Os leitores de “Werther”, de Goethe, estavam a uma grande distância do protagonista da história, mas isso não foi o bastante para garantir que se envolvessem emocionalmente com ele e, sem esperanças, tirassem suas próprias vidas.
Muitos experimentos já foram feitos com livros, alguns bons exemplos são histórias em segunda pessoa, como “Aura” de Carlos Fuentes, “Memórias Sentimentais de João Miramar” de Oswald de Andrade, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, “Tristram Shandy” de Laurence Sterne etc., mas o importante a observar aqui é que muito da literatura mainstream segue uma receita de bolo, dificilmente arriscando um experimento, os leitores de “Sabrina” e Sidney Sheldon que o digam… Não afirmo que se deva experimentar sempre, e sim que se deixe de subestimar o leitor, muitos leem como se fossem sonâmbulos: andam com alguma segurança, mas não sabem para onde vão e nem como chegaram ali. Quero literatura de qualidade, o que muitas vezes acho difícil de caracterizar, mas estou me esforçando e acredito que isto faz toda a diferença.
Favoritos
Tenho lido bastante alguns blogs, em especial o De Rerum Natura e o Obvious, me encantam suas abordagens e os assuntos, algumas vezes acho que os posts são concisos demais, o que vem na contramão do “antes pecar por excesso que por falta”.
Em hardcopy tenho lido uma porção de coisas: As Viagens de Guliver (Jonathan Swift), Noturno, 1894 (Raimundo Caruso), O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien), As Cidades Invisíveis (Ítalo Calvino), Paradise Lost (John Milton). Além disso tenho várias traduções começadas mas não terminadas, desde a Odisséia (Homero) até Paradise Lost (Milton), passando por algumas poesias de W. H. Auden e O Fantasma da Ópera (Gaston Leroux). Preciso de umas 10 vidas pra fazer todas as coisas que quero.
Poente
- Aqui, tome seu chá enquanto ainda está quente.
Pablo não esboçou qualquer reação, mas Juan sabia que aquele era seu chá favorito, em dias frios como este seu irmão costumava sentir muito frio e uma bebida quente era sempre muito bem-vinda.
Juan saiu da casa de teto baixo e olhou em direção aos últimos raios do sol antes dele se pôr, um lindo espetáculo que ainda o encantava, mesmo tendo-o apreciado por anos a fio. Lembranças levavam-no para diferentes épocas do passado, a infância marcada pela falta de comida, pelos longos e rigorosos invernos, pelos males respiratórios, pela longa distância da cidade mais próxima, pela educação rudimentar concedida pelos pais pouco letrados, mas quase tudo isso havia passado e havia em sua mente uma constante sensação de que nenhum outro lugar no mundo poderia ser melhor, pois esta era sua casa, sua família estava aqui, seus laços eram fortes e nada os separaria.
Mesmo depois do pôr-do-sol Juan ficou olhando para o oeste, a luz dentro de sua casa ainda não estava acesa, Pablo gostava destes momentos de escuridão após logo no começo da noite, pareciam-lhe uma hora mágica, em que a luz abandonava o mundo dos homens e alguns raios temiam em partir, mas todos já haviam partido, por mais que quisessem se demorar um pouco mais. A seu ver o nascer-do-sol não tinha a mesma beleza, o mesmo esplendor, a chamada “hora neutra da madrugada” em nada se comparava, era apenas uma “hora morta”.
A tristeza destes momentos era sempre agridoce para Juan, a umidade da noite se tornava opressiva em seu peito, junto com isso havia também o alívio em saber que esta mesma umidade se condensaria e seria coletada em um reservatório criado especialmente para isso. Como ali raramente nevava quase não havia falta d’água, o que não impedia do frio endurecer a terra, da geada queimar grande parte da plantação, para protegê-la era necessário cobrí-la com material leve e resistente, algo cara e difícil de conseguir nesta parte do país, diferente da capital, onde havia fartura de tudo, exceto de espaço para plantações e de ar puro.
Depois de muito vagar, muita interrupção e muito recomeço os pensamentos foram novamente dirigidos para sua família, seus pais haviam morrido há alguns anos, apenas Juan e Pablo ficaram ao encargo da pequena casa, mantida a duras penas. Decidido a voltar para dentro do único cômodo a que Juan chamava de lar um fogo foi aceso, grande o bastante para lançar sombras sobre as paredes, pequeno a bastante para não chegar ao teto. Enquanto a chama ainda estava incerta se cresceria ou morreria Juan observou o vapor de água que sua respiração formava, era muito parecida com a de Pablo, quando ele estava doente, pouco tempo antes de morrer.
O Alfa e o Ômega da Existência
Hoje é um belo dia para um prólogo, continuo escrevendo a história de minha vida com sangue, suor, lágrimas e esperma, mas não sei quando ela será publicada. Mentalizo “não escrevo para viver, vivo para escrever”, mas a página continua em branco. Mentalizo “o universo espera por mim”, mas o tempo não espera por pessoa alguma (ou coisa alguma). Mentalizo “eu gosto de desafios”, mas percebo que estou tentando enganar a mim mesmo.
Terça-feira completarei 32 anos e já padeço de um tédio tirânico, como se já não bastassem minhas frequentes “depressões casuais”. Trocar os canais da TV de nada ajuda, continuar a leitura de algum livro tem me deixado com um gosto amargo na boca, sinto que preciso aprender muitas coisas antes de trazer minha tão sonhada literatura ao mundo, mas não ter um volume com meu nome impresso ainda é um fantasma que assombra meu sono conturbado.
Ó Musa, alada, divina ou mortal, dê-me o conforto do desconforto que gera em seu ventre o meu livro ideal.
Fábula
Em meio a um branco total surge um ponto negro, minúsculo, mesmo quando visto de perto, mesmo quando visto de longe.
Aos poucos o ponto expande e revela alguns detalhes, como dois círculos, a saber: os olhos.
Como se estivessem ali o tempo todo (e chegamos a nos perguntar se não o vimos por negligência) uma série de pontos idênticos ao primeiro simplesmente ali está.
E esta música de onde vem? Para quem não sabe que lugar é este que tem diante dos olhos não tem muita importância a localização precisa da fonte da música, o aqui e o ali são quase a mesma coisa.
Enquanto a música se eleva e se alonga o mesmo fazem os pontos, agora incontáveis, mais pelo confusão que fazem a se mexerem do que por serem um número realmente grande, o que ainda não o são.
Algum passante pode aproximar o rosto destes pontos ambulantes e dizer: são formigas! Sim, são formigas. E a música que embala seus movimentos vem de cigarras. Ainda não há ritmo na dança, mas a música já marca um complicado contraponto. Ainda não há consciência da vida, mas a vida já é, já está.
Eis o universo.
As Belas do Cine Conhecimento
Depois de vários meses sem dar as caras por aqui voltei um pouco renovado e com uma certeza: ninguém sentiu minha falta! Por que, então, voltei? Respondo: Pra estar de volta. Isso me lembra a história que se conta de Sócrates, enquanto esperava a cicuta ser preparada ele aprendia a tocar (se não me engano) flauta, ao que perguntaram a ele por que ele aprendia a tocar flauta quando estava prestes a morrer, sua resposta foi: “para aprender a tocar flauta antes de morrer”. Da mesma forma posto no meu blog para escrever antes de morrer, embora eu torça para não morrer nem hoje, nem num futuro próximo, o universo é paciente e eu também!
A Verdadeira Letra de ‘O Fortuna’ (Carmina Burana)
Quase tive um ataque psicotécnico há pouco enquanto assistia a este vídeo, o cara realmente descobriu o que a letra da música O Fortuna quer dizer, o que é muito diferente da muito difundida estrofe
Sors salutis et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem sternit fortem,
Mecum omnes plangite!
Assista ao vídeo e tire suas conclusões.
Atualização: Acabei de assistir a um vídeo ainda melhor com a letra completa d’O Fortuna. Fazia tempo que eu não dava tanta gargalhada.
Dança do Pentagrama
No final de fevereiro o website Whiplash! mostrou o vídeo com a Dança do Pentagrama, sátira da dança do quadrado. Meu comentário pode ser resumido em uma única palavra: perfeito! O vocal esganiçado, a letra e a dança são tudo de bom do mal, hehe.
Poema D’amoníaco
Apetece-me hoje
Uma historieta de demônios.
Com os seus nomes católicos,
Suas vestes de lama.
Suas unhas vermelhas
Rabos antropomórficos,
Seus bigodes de leite,
Seus risos e seus segredos,
Sua má-fama,
Seus cascos de bode.
Apetecem-me
Os exércitos de Astaroth.
Grão-general
Dos esquadrões da Morte.
Apetece-me a cozinha
Nouvelle Vague e pachorrenta
Do meu íntimo Nisroth.
Com seus
Venenos saudáveis,
Com seus
Bolinhos de sorte.
Apetece-me a bonomia
Bolachuda de Behemoth.
Apetece-me esta rima
Fácil e forte.
Apetecem-me:
Demônios indianos.
As minhas listas de entidades
Intermináveis com a juventude.
Apetece-me o
Sublinhado vermelho
Dos cadernos de carne salgada.
Apetece-me apontar os pactos
Para não lhes perder a conta.
Apetece-me o refúgio infernal.
Apetece-me um caldo,
A solenidade de um ritual.
Apetece-me
Rafael caído.
Partido aos pedacinhos.
Apetece-me que
O cão Cérbero
Coma tudo até o fim
Como eu lhe ensinei…
Assim… muito bem assim…
Apetece-me o pentagrama.
O sangue quente
No interior da chama.
Apetece-me a missa vermelha,
O sexo gratuito,
O baptismo.
Apetece-me até, um dia destes,
Convidar Cristo!
Apetece-me a conferência.
Apresentar-me
Sem coerência.
Com loucura pelos ombros
E uma pele de animal místico.
Apetece-me o calor,
Por favor: uma quintessência bem gelada!
Apetece-me atirar
Uma pedra no ar,
Sem mais!
Comprovar a teoria
Dos lugares naturais.
Apetece-me o estigma
A jorrar confettis por todo o lado.
Apetece-me Leviatã,
O seu beijo molhado.
Apetecem-me as
Várias prostitutas infernais
Num jogo de cabras cegas.
Ai! Apetece-me um athamé
Que rompa todas as celas.
Apetece-me o limão
Para escrever uma mensagem.
Apetece-me Pazuzu
Para me levar numa viagem.
Apetece-me o genocído selectivo.
Eu ser o dedo no botão.
Apetece-me ser o burro
A perseguir a cenoura.
Apetece-me a serpente,
Todo o anjo demente.
Apetece-me o ácido e a corrosão.
Apetece-me estrangular-te,
Espalhar-te por toda parte.
Apetece-me o Poeta,
Apetece-me o Esteta.
Apetece-me o Demonólogo,
Seu filho Antropólogo.
Apetece-me jogar
No número da Besta
E ganhar.
O que eu não daria
Para dançar
E para vestir
Tão bem quanto o Diabo.
Agora a sério:
Apetece-me o labirinto.
A morte.
A descida.
Apetece-me ser Demônio -
Dispensar toda
E qualquer espécie
De vida.
Poesia de Fernado Ribeiro, retirada da obra Como Escavar um Abismo.
Super Mario em Mosaico
Se Charles Baudelaire estivesse vivo ele certamente teria aderido ao Wooster Collective, cujo objetivo é a celebração da arte efêmera localizada em ruas ao redor do mundo (Vide: Sobre a Modernidade). A imagem abaixo está localizada no website do Wooster, no entanto encontrei-a através do meu amado-idolatrado-salve-salve! Boing Boing. Algum tempo atrás mostrei aqui uma outra imagem em forma de mosaico que encontrei no Boing Boing, mas esta não sei se também está no Wooster.

- Super Mario
Manifesto do Culto do Feito
Eu amo o Boing Boing, sempre tem alguma coisa interessante por lá, na verdade todo dia aparece uma porção de coisas interessantes por lá. O mentor do website/blog é o escritor Cory Doctorow, também por trás da Electronic Frontier Foundation, que luta pela liberdade na Internet e fora dela.
Isso É Grego Pra Mim
“Isto é grego pra mim”. Quantas vezes você já ouviu ou usou esta expressão antes? Um desocupado pesquisador criou um mapa conceitual que reúne expressões equivalentes em várias culturas diferentes.

- Isso é grego pra mim…
Fonte: Strangemaps.
Usando a Wikipédia Como Tradutor de Substantivos
Um cara criou o website Wikislate cujo objetivo é traduzir substantivos, usando como “motor” os verbetes da Wikipédia. O funcionamente é bem simples, é mais ou menos assim: sabe aquela lista de idiomas que é mostrada no lado esquerdo da tela quando você navega pela Wikipédia? Então, o que o programinha faz é pegar a palavra que você digitou e entrar em cada um daqueles links e ver qual é a tradução.
A figura abaixo ilustra bem o funcionamento.

Simples, não é mesmo? Nestas horas eu penso: por que foi que eu não fiz isso antes?
“você sabe quantos cortes devem ser feitos na pele quando a lâmina não é afiada?”
você sabe quantos cortes devem ser feitos na pele quando a lâmina não é afiada?
você sabe quanta certeza se deve ter para fazê-lo?
você sabe quantas coisas passam pela cabeça nestes momentos?
você sabe quanta coragem é necessária para se ter tal covardia?
você sabe quanta covardia é necessária para se ter tal coragem?
o sangue não sai e isto não é alento
o sangue é como este resto de vida que insiste em prender-se à carne
recusa-se a sair e quando sai insiste em coagular
insiste em cristalizar e novamente prender-se à carne
e nisto: o que é o espírito?
(Silvio Somer)
Deixe seu recado